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Posts Tagged ‘Constelação familiar sistêmica’

Muitos ajudantes, por exemplo, na psicoterapia e no trabalho social, pensam que precisam ajudar aqueles que procuram ajuda, como os pais ajudam seus filhos pequenos. Inversamente, muitos que procuram ajuda esperam que os ajudantes se dediquem a eles como pais em relação a seus filhos e esperam receber deles, mais tarde, o que ainda esperam ou exigem de seus próprios pais.

O que acontece se os ajudantes correspondem a essas expectativas? – Eles se envolvem numa longa relação. Para onde leva essa relação? – Os ajudantes ficam na mesma situação dos pais, lugar onde se colocaram através desse querer ajudar. Passo a passo, precisam colocar limites aos que procuram ajuda, decepcionando-os. Então, estes desenvolvem frequentemente, em relação aos ajudantes, os mesmos sentimentos que tinham antes em relação aos pais. Dessa maneira, os ajudantes que se colocaram no lugar dos pais e talvez até queiram ser melhores que os pais tornam-se para os clientes iguais aos pais deles.

Muitos ajudantes permanecem presos na transferência e na contratransferência da criança em relação aos pais dificultando, assim, ao cliente a despedida tanto de seus pais quanto deles.

Ao mesmo tempo, a relação segundo o modelo da transferência entre pais e filhos impede também o desenvolvimento pessoal e amadurecimento do ajudante.

Bert Hellinger – Ordens da Ajuda – Editora Atman

Constelação sistêmicas e Treinamento com a trainer alemã Theresia Maria Spyra – clique aqui

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Terapeuta alemã de constelação, Theresa Spyra

Terapeuta alemã de constelação, Theresa Spyra

Relutei um pouco em escrever sobre a Theresa. Não é que ela não mereça, não seja uma grande terapeuta, ou coisa desse tipo. Na realidade, ela é minha esposa, e por isso, achei que talvez estivesse puxando a sardinha… sabe como é que é, né?

Mas seria incoerência da minha parte não falar da maior terapeuta que já vi trabalhando, e que, além de me ajudar profundamente em resolver todos os processos emocionais que me acompanharam a vida toda, tem recebido o carinho e admiração dos seus próprios clientes. Vou contar sua história.

Theresa é alemã, nascida em Kempten, Bavária, próximo aos Alpes alemães. Desde cedo, tinha a curiosa mania de sair com sua bolsinha de primeiros socorros, pronta a atender a primeira pessoa que estivesse necessitando de cuidados. Seu sonho? Ser missionária em algum país da África. Inclusive a sua mãe queria que ela fosse enfermeira. Mas Theresa precisava passar por outros tipos de experiência. Saiu de casa aos 18 anos, para enfrentar o mundo da cidade grande, Berlim, se formar em economia e análise de sistemas, e trabalhar como promissora executiva. Porém, algo dentro de si a impelia rumo ao desconhecido, à aventura, ao desafio. Deixando o emprego seguro e seu ótimo salário, partiu em viagem pela América Central, desde o México, descendo, país a pais, até a América do Sul. Este percurso foi realizado em oito meses. Foi aí que nos encontramos. Eu, vindo do Japão após três anos de trabalho, estava de férias no Peru e Bolívia. Ela, vinda do México, estava também no Peru – destino, a cidade inca de Machu Pichu. Nos conhecemos, e não nos soltamos mais.

Theresa veio morar no Brasil. E então, começou o seu contato com o mundo da “cura” e da terapia. Dona de uma percepção e intuição ativa, Theresa freqüentou centros espíritas kardecistas, e embora não tenha se identificado tanto com a formalidade e inflexibilidade da doutrina, entrou em contato com o conteúdo de sua mente inconsciente e as inúmeras percepções que tinha, definidas pelos espíritas como mediunidade. Theresa prefere não acreditar se é mediunidade, ou se é um simples acesso à mente inconsciente, dela, ou o inconsciente coletivo. Não importa para ela, a existência ou não dos espíritos – importa o trabalho e a cura com os vivos, embora ela respeite e aceite (da sua forma toda particular) todo o tipo de conhecimento místico.

Nesse caminho, Theresa estudou e formou-se em Reiki máster, máster em programação neurolinguística – PNL, terapeuta de shiatsu, além de ser, durante um período, dirigente da seicho-no-iê. Filosoficamente, Theresa assentou sua busca ao encontrar a ancestral filosofia hindu advaita vedanta, principalmente nos três únicos contatos que teve com o místico Satyaprem, o contato também estreito com a meditação do zen budismo (recomendo que você conheça a Monja Coen), e o estudo do feng-shui e do taoísmo. Hoje Theresa observa todas as doutrinas, filosofias – religiosas ou não, experiências esotéricas, e vê que em todas existe a manifestação de algo maior. Porém, tem também a percepção de que cada um deve ter a sua própria independência com relação a filosofias e crenças, porque o poder de curar-se está em si, e ao transferir a responsabilidade para um deus externo, um guru, crenças, rituais, etc., pode-se perder o contato com a fonte. (Eu, particularmente, observo que existem ateus com fé muito mais genuína do que muitos espiritualistas). Não abandonando o seu lado empreendedor, é também empresária, e aí começou a trabalhar com treinamento. Finalmente, os seus estudos e vontade a direcionaram à formação em constelação familiar sistêmica, constelação estrutural e hipnoterapia, curso que a levou de volta à Europa, especificamente, Suíça.

Eu diria que a maior qualidade da Theresa, como terapeuta, é a sua capacidade de observar a essência do seu cliente. E direcioná-lo a encontrar, observar e tomar posse dessa essência. Theresa não enxerga o problema, não busca explicações para o problema, não coloca culpas ou erros nas costas do seu cliente. Embora ela possa ser bem dura, quando necessário, é também e principalmente acolhedora, e deseja, sinceramente, que o cliente consiga ver a sua própria energia natural fluir, harmonizando, em primeiro lugar, o relacionamento consigo mesmo. A partir daí, os relacionamentos exteriores, o trabalho, a saúde, tudo o que possa apresentar distúrbios, harmonizam-se naturalmente.

Theresa Spyra, por Theresa Spyra:

Certo e errado 1

“Recuso-me falar de certo e errado. Isto só confunde. Não acredito em certo e errado. Tem resultados favoráveis e desfavoráveis para o momento no qual ocorrem, isto não significa que continuam sendo o que pareçam ser. O que parece desfavorável, num momento bem próximo pode se mostrar favorável.”

Gratidão

“Vivi quase toda minha vida em regalia, na Alemanha, e nunca tive a sensação de gratidão, tudo estava sempre ao alcance, e costumávamos reclamar quando algo faltava ou não era conforme a nossa vontade. Viver em abundância não tem nada a ver com gratidão, muito ao contrário. Hoje gratidão para mim é receber o que a vida está me oferecendo neste momento. Acordar um o barulho da chuva, o carinho da minha filha, em outro momento a insatisfação dela, sentir o calor do sol no meu corpo, jogar um jogo com a família, parar por um momento para me auto-observar e perceber que estou bem onde estou, satisfeita comigo, com a minha vida e com meu trabalho e com tudo que eu me coloquei a realizar. Posso ir com calma, sem correr, curtindo a paisagem e tudo que vier.”

Honestidade consigo mesmo

“Por tão pouco pagamos um preço tão caro, ao esconder de nós mesmos o que ocorreu, nós nos afastamos cada vez mais da nossa essência, e assim, do que estamos buscando.”

A missão

“A vida de formiga é uma festa só. Ela gosta da sua missão, sai cedo de casa, cheia de vontade e alegria com a perspectiva de encontrar folhas bem suculentas e gostosas. Corta-as com todo cuidado e perfeição, e um especial prazer é cortar um grande pedaço de folha, tão grande, mas que ainda dá para carregar: isto a deixa mais contente e alegre ainda. Depois começa o malabarismo divertido: às vezes a folha é pesada demais, e nas suas manobras perigosas vai embora o equilíbrio e a folha se perde. Se não tem como recuperar o tesouro precioso, não faz mal; a formiga volta para cortar mais uma folha. Algumas vezes até acha no caminho um pedaço de folha abandonado. Alguém parece ter perdido… e ela pega alegremente e recomeça a sua jornada. O peso deixa as pernas bambas, porém, isto a anima mais ainda. A superação é o seu jogo preferido, já que gosta de se divertir durante a tarefa diária. Nunca pensou em reclamar. Afinal de que? A vida é boa como ela é. Às vezes ela vê a cabeça de uma companheira, às vezes o bumbum redondo, mas ninguém tem tempo para parar e bater papo. A missão é o mais importante, não há dúvida. Como também não há dúvida de que essa formiga se acha a mais importante: ela somente percebe o seu próprio trabalho, e como vai saber o que os outros estão fazendo. E afinal, o que interessa?”

Certo e errado 2

“O mundo nos cobra o “certo”. Primeiro são os pais, os parentes, os professores e … logo, logo somos nós mesmos que cobraremos resultados melhores para nós (o certo), julgaremos todos os acontecimentos (certo ou errado)… para chegar onde?

E se eu fizer tudo certo, de acordo com os meus padrões, se eu me empenhar ao máximo, onde eu posso chegar? O que eu posso alcançar com isto? Felicidade? Reconhecimento? Satisfação? Equilíbrio? Segurança? Controle do futuro? Controle sobre os outros?”

Pais e filhos

“Nos dias de hoje presenciamos muito desequilíbrio nos relacionamentos familiares. Até parece que as coisas se inverteram. Quantos pais estão preocupados em serem aceitos pelos próprios filhos? Se sentem rejeitados pelos filhos, muitas vezes já desde a infância. Os pimpolhinhos não obedecem, parecem ser mais fortes e insistentes que os pais, tem as rédeas nas mãos, são eles que mandam nos pais. É muito doloroso para um pai e uma mãe não terem a a autoridade como pai ou mãe. Eles querem desesperadamente ser aceitos pelos filhos, por isto compram a atenção deles, com brinquedos, video-games, viagens, roupas, carros, etc. Mas o respeito não pode ser comprado. E quando os pais não respeitam os próprios pais, como eles podem esperar serem respeitados pelos próprios filhos? Eles não transmitiram este sentimento para eles. Nem em palavras, nem em ações.”

Constelação sistêmica com Theresa Spyra – clique aqui

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No livro “Estratégias da psicoterapia”, Haley define o sintoma de modos

diversos de acordo com o ponto de vista. Do ponto de vista do indivíduo, sintoma é um meio para mostrar uma dificuldade sua e para qualificar como inevitável uma série de comportamentos excessivos. Do ponto de vista interpessoal, um sintoma é uma tática com a qual o paciente conquista uma posição de vantagem nas suas relações, um modo de tratar uma outra pessoa que representa uma incongruência entre o nível de conteúdo e o nível da metacomunicação. Do ponto de vista da família, é um sinal que indica que a família tem dificuldades de superar uma fase do ciclo vital ou que percebe uma confusão da hierarquia entre pais e filhos, ou é perturbada por uma incoerência na qual um comportamento é primeiro permitido e depois proibido e depois novamente permitido, no qual a excessiva proteção se alterna a

rígidas punições.

A definição que mais me agrada é aquela apresentada em “Mudar os

indivíduos” na qual, servindo-se de uma metáfora eficaz, define o sintoma “o cabo do paciente”. E como se segura uma panela? Pelo cabo! Simples, não? Simples porque tanto o mestre Erickson quanto o aluno Haley acreditavam na força terapêutica da simplicidade, da natureza, das fases evolutivas, dos ciclos de mudança, do narcisismo inato, das exigências e das diferenças biológicas, dos recursos escondidos, das reestruturações e das metáforas.

Simples porque chama a atenção para o princípio de utilização

ericksoniano que ensina a servir-se de tudo aquilo que o paciente nos traz. E nesta metáfora tem ainda implícita a filosofia da terapia breve.

Quem escolheu se ocupar da terapia breve mais que outras sabe que

deve assumir a responsabilidade de intervir na vida de um paciente e guiá-lo na direção do bem estar com uma abordagem estratégica. A terapia breve é necessariamente diretiva, se deseja em um tempo breve ajudar o paciente a substituir o sintoma pelo o orgulho de estar livre deste. Assumir a responsabilidade implica ética, autodisciplina e a consciência da estratégia mais eficaz para aquele paciente particular e para aquele problema específcio. Até a hipnose resulta mais eficaz quando usada de modo estratégico.

Constelação familiar sistêmica, técnica de terapia breve, com a alemã Theresa Spyra, trainer e diretora do nokomando-desenvolvimento pessoal e profissional. Próximo trabalho em grupo, clique aqui

Workshop em 12 encontros: Grupo de Estudos e Trabalho de Constelação Familiar Sistêmica, para caminhos e descobertas – focado para terapeutas, psicólogos e interessados em conhecer, trabalhar em si e aplicar esta técnica. Clique aqui

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O terapeuta deve primeiramente criar um ambiente no qual as pessoas possam, talvez pela primeira vez, assumir o risco de se examinarem objetiva e claramente, bem como suas ações.

a) ele deve se concentrar em transmitir-lhes confiança, reduzindo seus temores, fazendo com que se sintam confortáveis e esperançosas a respeito do processo terapêutico.

b) ele deve mostrar que tem uma direção definida a seguir, que está se dirigindo para algum lugar. Os pacientes o procuram porque ele é um especialista, assim, ele deve aceitar o rótulo e mostrar-se à vontade exercendo seu papel.

c) Acima de tudo, ele deve mostrar aos pacientes que pode estruturar suas perguntas a fim de saber o que ele e eles necessitam saber.

 

O terapeuta…

 

a)     ele de fato ousa fazer perguntas, e o modo pelo qual as coloca ajuda o paciente a sentir-se menos atemorizado.

 

- o terapeuta pergunta o que o paciente pode responder, de modo que este se sente competente e produtivo;

- o terapeuta envolve o paciente em um processo de estabelecimento de uma história para trazer à tona detalhes sobre a vida familiar. Isto faz com que o paciente sinta que sabe coisas que o terapeuta desconhece, que tem algo a contribuir. (Os pacientes envolvem-se intensamente neste trabalho de construção de uma história factual do seu próprio passado. Discutem entre si acerca dos fatos, corrigem o terapeuta e assim por diante).

- o terapeuta faz perguntas que o paciente possa, no momento, enfrentar emocionalmente, de modo que este possa sentir que tem o controle de si mesmo.

 

b)     O terapeuta não sabe o que é que não sabe, mas sabe como descobrir e verificar os conhecimentos que tem.

 

- o terapeuta não pressupõe coisa alguma. Ele não deve pensar que sabe mais do que sabe. Tudo o que pode pressupor é que há um corpo à sua frente; está respirando; é um homem ou uma mulher de determinada idade.

- se o terapeuta opera a partir de pressuposições, sem verificá-las, está frequentemente errado. Ele deve constantemente questionar seus pacientes.

“Ela gosta de apanhar ou não?”

“Eles foram alguma vez ao cinema?”

“O que significa ‘bem, mais ou menos’?”

 

Ele deve questionar também seus próprios pressupostos. O fato de eles estarem chegando atrasados para a sessão significa que estão ‘resistindo’ ao tratamento ou não?

 

c)     O terapeuta pode perguntar sobre o que não sabe; ele sabe como alcançar os fatos.

- Fatos sobre processos de planejamento: “Vocês foram ao cinema, tal como planejaram?” ou “Vocês afinal puseram o pão na mesa?”

- Fatos que revelam falhas no planejamento. Por exemplo, a mãe reclama que seus filhos não fazem nenhum trabalho doméstico. O terapeuta descobre, através de perguntas, que ela nunca diz para eles o que devem fazer; todas as instruções estão na cabeça dela.

- Fatos acerca da percepção do próprio eu e do outro: “Como é que você esperava que ele reagisse?”, ou “O que você imaginou que ela tivesse pensado?”

- Fatos sobre percepções de papéis e modelos: “quem faz o que na sua casa?” ou “côo é que seu pai controlava o dinheiro?”

- Fatos sobre técnicas de comunicação:

“Você não tinha certeza do que ele queria dizer? O que, no comportamento dele, fez com que você ficasse em dúvida?”

“O que foi que você disse para ele? O que você respondeu a ela?”

“As palavras que saíam de seus lábios combinavam-se com a expressão de seu rosto?”

“Você tentou fazer com que entendessem seu ponto de vista? Como? O que você fez depois?”

- Fatos sobre como os membros da família expressam seus sentimentos sexuais e os atuam. O terapeuta não emite mensagens de dois níveis para os pacientes como se ele tivesse realmente mais interesse em ouvir sobre estes assuntos do que sobre qualquer outro. Suas perguntas se referem à vida cotidiana, inclusive atividades sexuais relacionados com sexo, o terapeuta o faz de uma maneira aberta, concreta e ordinária. Ele trata este tema como qualquer outro. Ele diz: ‘como é que vocês fazem?’, e não ‘quem é o culpado?’; ‘como é que funciona?’ e não ‘por que vocês não reagem?’

 

d)     o terapeuta não tem medo de que o paciente lhe minta; ele não é desconfiado. Ele entende que o paciente não está deliberadamente retendo informação ou falseando-a. Ele está respondendo a um vago temo de culpa e a uma reduzida autovalorização.

 

Livro: Terapia do Grupo Familiar, de Virginia Satir, 1977

 

Trabalho de Constelação Familiar Sistêmica, com a terapeuta alemã Theresa Spyra. Terapia que possui forte influência do trabalho familiar de Satir. Clique aqui e saiba mais!

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O poder da aceitação… Homenagem ao Viktor Frankl

Aquela cerca nunca fora tão bela! Os fios lineares percorriam toda a extensão do campo, até quase se perder de vista, para então, num ângulo de 90º, continuar por um montão de espaço, contornando as construções acinzentadas. Por detrás dela, erguiam-se os morros queimados pelo inverno rigoroso. A vegetação era muito rala, mas mesmo assim, contrastando com o fundo do céu de um azul profundamente azul, deixava uma impressão de um quadro impressionista. O ar estava frio e entrava feroz em minhas narinas, e um vento leve castigava o meu rosto, já meio desidratado e avermelhado. Mas mesmo assim, a sensação de liberdade era indescritível.
O divino parecia presente. Não, não era verdade. Ele estava presente! Era a única presença que se podia perceber! Descobri neste momento que ele sempre estivera presente, antes mesmo de existirem as cercas, os guardas, os prisioneiros.
Ele estava presente em cada um dos gestos dos algozes, em cada grito de desespero dos meus companheiros, em cada lágrima derramada pela dor e fome, em cada berro enraivecido dos soldados que se fizeram violentos.

O arame farpado carregava pedaços de tecidos do uniforme listrado dos meus amigos, e também pedaços de carne, que ali ficaram como marcas do desejo de liberdade, que os fugitivos achavam que estava do lado de lá da cerca…
E eu estava livre! Do lado de dentro da prisão e… absolutamente livre! Não havia raiva dos soldados, nem medo da dor ou da perda. Eu estava livre como os corvos que voavam grasnando por sobre minha cabeça.
A liberdade, descobri, estava dentro da minha mente. E o sofrimento também. A vida não acontecia fora de mim, mas dentro. E eu podia escolher viver livre ou viver sofrendo! E escolhi a liberdade, mesmo vivendo num campo de horrores!

A vida como ela é…

Presto uma homenagem no texto acima à vida e obra do psiquiatra austríaco Viktor Frankl, judeu, prisioneiro durante quatro anos em Auschwitz, o temível campo de concentração polonês. Este excepcional homem, intelectual respeitabilíssimo e fundador da chamada Terceira Escola Vienense de Psiquiatria, contemporâneo de Freud e Adler, criador da logoterapia, podia ter visto toda a sua carreira e trabalho naufragado, deixando-se abater pelo desânimo, medo e sofrimento diante de uma morte quase certa.
Mas ele transformou este destino que poderia ser trágico no grande aprendizado da sua vida, e percebeu na prática, convivendo com as terríveis condições do campo de extermínio, que não é o sofrimento físico e emocional que derruba o homem: é a recusa em aceitar a vida como ela é: suas doenças, suas crises, seus acidentes, suas tragédias, seus problemas…
Frankl descobriu que a falta de aceitação é uma fuga da mente, que impede o ser humano de viver integralmente e descobrir o sentido da própria vida. A mente está fechada em si, no que acha que são seus problemas, e não consegue ver mais nada que isso.

O que temos que aceitar?

Em nosso trabalho diário, encontramos muitas pessoas perdidas em seus problemas. Não há nenhum problema em… ter problema! A questão é: o fato de ficar transitando em torno dos problemas só traz mais… problemas! Muitas das coisas que carregamos conosco não são nossa bagagem: verificamos que um fator extra-mente faz com que tenhamos um estranho senso de responsabilidade pelos problemas dos nossos familiares, sejam eles pais, irmãos ou filhos.
Aceitar os nossos problemas, porém, deixando os problemas dos outros, mesmo que sejam parentes próximos, para eles, é prova de amor e sabedoria. Esta percepção é trabalhada em nosso consultório através da terapia de constelação familiar e sistêmica, com resultados fantásticos: a sensação de liberdade pode chegar à mesma sensação que Frankl sentiu, ao perceber-se livre, mesmo vivendo num campo de extermínio, estando perto da morte em vários momentos.
Aceitar é extremamente simples, mas pode ser também muito doloroso, porque teremos que transformar crenças que permaneceram em nossas mentes durante anos, décadas… Aceitar que o gordo é belo. Aceitar que existe a morte e a perda. Aceitar que é possível ser feliz com dívidas. Aceitar a separação. Aceitar a injustiça para conosco. Aceitar inclusive o próprio medo, ciúme ou inveja. Aceitar até o não conseguir aceitar. Este trabalho de autoconhecimento realizamos com programação neurolingüística, embora existam diversos outros caminhos que podem ser utilizados.
A partir daí, o ser humano está apto a perceber o seu sentido de vida, que será absolutamente individual, único. Somente livre do peso desnecessário, estará pronto para voar. Somente livre de crenças limitantes, o ser poderá tomar posse da sua própria missão, que não é nada criada pela mente, mas surge como uma energia arrebatadora, onde fica impossível de resistir ao seu apelo.

Convido você a repensar a sua vida: se por um instante, um milagre eliminasse todos os problemas que o preocupam, qual seria o rumo da sua vida? Alguma força arrebatadora o impeliria rumo a um lugar desconhecido, mas excitante? Não? Sim? Se a resposta é afirmativa, talvez esta seja a sua missão. Se não, que tal descobrir este caminho prazeroso, onde os problemas perdem o sentido, e o verdadeiro sentido de vida surge radiante? Para isso, só é necessário uma coisa: querer.

Alex Possato é consultor de marketing pessoal, diretor do Nokomando-soluções sistêmicas, companheiro e sócio da trainer alemã Theresa Spyra, e realiza trabalhos e workshops de constelação familiar sistêmica, constelação estrutural , programação neurolingüística PNL. Trabalha com formação e acompanhamento de terapeutas e psicólogos na área sistêmica e como assessor de marketing e imagem pessoal. Conheça a programação do Nokomando – clique aqui

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Compartilho do pensamento da hipnoterapeuta ericksoniana Sofia Bauer, experiente terapeuta brasileira, autora do livro Hipnoterapia Ericksoniana Passo a Passo, e por isso transcrevo um trecho do seu escrito.

Com certeza, estas palavras ajudarão você, psicólogo, coach ou terapeuta, a se situar melhor em relação à cura…

O que posso dizer sobre a cura? Bem… a cura é o estado natural do ser humano. É o estado natural meu e seu. Um paciente que vem até o seu consultório, embora possa crer firmemente que está doente ou com problemas, na verdade, ele apenas está focado numa pequena parte do seu próprio ser, que é saudável e completo. Por isso, um terapeuta ou psicólogo não tem o dom da cura. A cura não pode existir, já que a doença também não existe. Vamos dizer que, ilusoriamente, o paciente imagina-se doente e assume o papel de doente. Cabe ao terapeuta, em primeiro lugar, aceitar que o paciente se veja doente. Mas não aceitar que o paciente “é doente”. Vou repetir: o paciente “se vê doente”, mas ele “não é doente”.

E então, o que fazer? Bem… cada terapia com a sua técnica. Mas todas elas devem respeitar a busca do cliente pela sua própria cura. E esta cura é sempre um processo de dentro para fora. Não existe algo milagroso, seja uma técnica ou produto, que curar alguém de fora para dentro. Lembre-se que a cura é apenas um restabelecimento do natural, uma quebra da ilusão de doença que o paciente carrega consigo. Como será feito esta quebra, depende sempre da vontade do cliente e da paciência e carinho do terapeuta. Até que ponto será o efeito? Quanto tempo demora para a cura? Não importa… basta a nós, terapeutas, fazermos o melhor para o cliente… e aceitar qualquer coisa que venha a acontecer, porque assim é a vida… Não somos nós que inventamos doenças e nem que curamos alguém… Talvez, a função mais nobre do terapeuta seja acolher a alma do paciente, reconfortá-lo e dar-lhe a confiança perdida em algum ponto da sua caminhada…

Já falei de mais… vamos ao texto da Sofia?

 

Alex Possato, consultor de marketing pessoal com especialização em PNL do nokomando-soluções sistêmicas

 

“Aos que começam agora, que fique registrado que também na hipnoterapia também ocorrem insucessos. Não se pode querer curar tudo! Cura é uma palavra questionável. Você ajuda, apóia, mostra caminhos, ressignifica e assim mesmo encontra obstáculos maiores.

Devemos observar várias questões. Transferência negativa, contratransferência negativa, falta de motivação, procura da magia, compulsão à repetição, falta de técnica adequada, pressa, etc.

Aprendi com Jefrey K. Zeig, que a postura de incompetente, de em princípio não saber como ajudar seu cliente, é imprescindível. Se você entra como dono do saber, você prejudica sua visão do caso. Força uma atitude de ter que dar conta. Agora, se você entra aberto, dizendo a si mesmo que sobre a pessoa em questão você não sabe nada e vai aprender a conhecê-la, aprender como ela fez para ficar assim, com tal problema, o que ela quer mudar, qual a disponibilidade para isto, você está tomando uma postura de abertura às possibilidades de cura.

Isso o ajuda não apenas a reconhecer qual é o problema da pessoa, mas também quais as potencialidades que ela traz consigo. A postura de abertura, respeito e amor ao paciente ajudam muito no sucesso do tratamento. Dessa maneira você não julga, não faz diagnóstico fechado. Você tem uma depressão, depressão se trata assim. Mas você pensa: ela está deprimida, o que a levou a ficar deprimida, o que ela já passou para estar assim agora, como ela era antes de tudo isto? É o respeito, é a busca dos recursos, é o amor. Com isto, mesmo que a motivação não seja lá grande coisa, você pode ajudar a aumentar a motivação à cura. Se você aceita o paciente, procura descobrir o que ele tem de bom, observa o que é sofrimento para ele; o paciente é capaz de perceber a abertura, o respeito e coopera. Ele sentiu-se recebido, respeitado e aceito, mesmo estando com um problema e não tendo algo incurável.

Nos casos em que a procura se manifesta quase como um desejo de que a hipnose magicamente resolva seu problema, é necessário esclarecer as coisas. Hipnose não é mágica. Você põe alguém em transe, diz meia dúzia de palavras e plin! Solução imediata. Acorda-se do transe curado. Isto não existe. Às vezes ocorrem as sincronicidades. A pessoa quer muito uma determinada coisa (emagrecer, parar de fumar, parar de gaguejar, etc.) e você faz a indução. Ela sai do transe pronta! Ela já vinha se curando, através do seu desejo de cura. A hipnose foi apenas um empurrão. Estes casos costumam tornar-se mitos. Fulano fez uma sessão de hipnose e pronto, curou-se! Mas, na realidade, isto acontece em poucos casos. É a fé mais a técnica se unindo num momento muito oportuno. Mas a intenção e o desejo de melhora já vinham sendo administrados pela pessoa. Neste momento aparece o “santo” terapeuta, faz a “mágica” hipnose e tudo se resolve! Belo! Nós é que ficamos em apuros quando chega algum cliente que deseja curar-se dessa maneira. Mas não deixe de ajudar. Agora, seja honesto. O que funciona para um, não é o mesmo que funciona para o outro. Há questões como o tempo, o ritmo que funciona para o outro. Há questões como o tempo, o ritmo e o momento que cada pessoa vivencia dentro de seu problema.

A hipnose ajuda, mas não faz milagres. Você pode usar de apenas uma sessão, como pode levar até anos em alguns casos.

O que você não pode é trabalhar sem a motivação do cliente, ele apenas acreditando que você vai fazer o milagre da cura. Pelo que pregamos, a hipnoterapia é feito pelo cliente. Este torna-se o terapeuta de si mesmo. Você se torna apenas um guia que mostra caminhos Quem conhece melhor o seu cliente? A sabedoria interior que habita a mente dele.

Por que então, mesmo respeitando o cliente, lhe dizendo que não podemos fazer mágica, ainda assim ocorrem casos de insucesso? Pense na questão da transferência de ambos, terapeuta e cliente. Isto é muito importante. Como você pode cuidar de alguém que você não gosta? Como pode alguém ser cuidado por outro de quem ele não gosta? Não é bom. Veja isto desde o começo. Encaminhe a outro colega, seja honesto, caso sentir que você não está gostando do caso. Pare e pense por que você sentiu tais sentimentos. É uma boa hora para refletir. E, do mesmo modo, deixe o cliente livre para ir embora. De um modo geral, cliente insatisfeito vai embora por conta própria. Insucesso? Tudo pode ser visto como gosto, preferências e ajustes.

Uma coisa importante é a compulsão à repetição, vinculada à pulsão da morte, ela conduz o cliente a repetir o mesmo, sem sair do seu problema. Aquele cliente que vem de muitas análises interrompidas. Tome cuidado! É preciso minar este padrão, porque também será um insucesso. Você pode minar o padrão, porque também será um insucesso. Você pode minar o padrão, fazendo ajustes bem menores do que aqueles que o cliente vem procurar. Ele quer muito e, se você der, ele irá jogar fora. Mas se você for dando aos pouquinhos pode ser diferente, talvez ele não perceba que você está dando algo tão bom e receba. E, de pouquinho em pouquinho, você vai ganhando confiança para alcançar o que é grande lá na frente.

Devo falar um pouco daquilo que Milton H. Erickson chama de cliente universitário. É aquele paciente que passa de um terapeuta para outro, sem sucesso em nenhuma terapia. Por vezes, procura excelentes terapeutas, mas é sempre caso de insucesso.

É bom ver a questão do fazer tudo para não fazer nada e manter o problema. São aqueles pacientes que enganam a si mesmos, e, por vezes, sentimo-nos impotentes em resolver tais questões.

Outro aspecto a considerar aqui é ver que esses pacientes têm dificuldade em aprofundar. A eficácia do tratamento depende da motivação em querer ir a fundo no que gera o problema.

Fique atento! Você não tem que ser dono do suposto saber. Mas, nesses casos, é preciso redobrar sua atenção e focalizar se há alguma brecha para fazer apenas “alguma coisinha” pela pessoa um pouco mais profunda.

Na minha clínica, vejo os insucessos ocorrerem pelos motivos citados acima. Acredito que, quando uma pessoa quer se curar, tem bastante motivação e você, suficiente respeito e amor para tratá-la, já ultrapassaram metade do caminho. Muitas vezes, falta o conteúdo teórico ou a prática, ou ambos. Se você tiver a humildade de conduzir o caso com calma, não querendo dar mais do que sabe, não cometerá nenhum pecado grave. É bem provável que acerte! Isto é o que eu posso dizer.

Respeito até mesmo as falhas, como grandes aprendizagens, e posso reconhecer que, às vezes, foge ao nosso alcance ajudar determinado cliente.

Existe uma analogia interessante que eu gostaria de fazer através deste relato:

Um cliente é um castelo… tem suas forças armadas em pontos estratégicos… prontos para atacar qualquer um “diferente” que queira invadir o castelo… se você entra pela porta da frente (ataca o problema em questão, de cara)… os soldados vão atirar-lhe as flechas… os canhões… Mas sabemos que todo castelo tem lá sua passagem secreta… que sai na floresta… e por que não entrar pela floresta… procurar a entrada secreta (algo comum a você e ao cliente, de que ele goste, para adquirir a confiança)? E assim você entra sem ser visto… vai se infiltrando na fortaleza… minando o castelo…

 

Sofia M. F. Bauer, Hipnoterapia Ericksoniana Passo a Passo, Livro Pleno, 2002

 

Theresa Spyra, terapeuta alemã de constelação familiar e estrutural sistêmica, Máster PNL e estudos de hipnoterapia com o suíço Hans Zimmemannatendimento presencial e online, individual e em grupo em São Paulo – clique aqui!

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Trabalho com terapia, cursos e treinamento. Mas também provo do meu próprio veneno: sou “terapiado”. Já quis muito consertar minha família e mudar o meu passado. Achando que tinha como. Pai alcoólatra, mãe neurótica, criação rígida pelos avós, tudo isso não me descia pela garganta. Ficava entalado, e eu achando que sabia melhor, era melhor que eles.

Até que tive a minha própria família. Que seria perfeita. Minha casa, meu trabalho… Mas que… carregando tantas cobranças do passado, como viver a minha própria vida? Como estar presente no papel de pai, se eu estava preso ao papel do meu pai? Como ser companheiro da minha esposa, com tanta mágoa da minha mãe? Como acolher se eu não sabia acolher?

Bem, neste caminho, já se vão quase quinze anos. E posso dizer, sem dúvida, que somente após fazer a constelação familiar sistêmica, algumas vezes, e entrar neste mundo inconsciente, obscuro mas fascinante das emoções enraizadas nos laços familiares, comecei a estar presente na minha vida. Deixo de viver para consertar algo que, simplesmente, se foi, e não é da minha alçada.

Este vídeo é uma gravação recente de uma viagem onde pude voltar energizado de uma viagem à mãe natureza virgem e acolhedora, na Reserva Ecológica da Juréia Itatins, praia da Barra do Uma, litoral sul. E uma homenagem à minha família, que finalmente consigo enxergar e curtir.

 

Alex Possato

Consultor e diretor do nokomando-soluções sistêmicas

 

Próxima constelação familiar sistêmica em São Paulo, com a alemã Theresa Spyra, clique aqui

 

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Lá vamos, nós! Acho que não é necessário dizer que o terapeuta deve cuidar da mente, corpo e espírito, certo? Eu e Theresa temos algumas opções que gostamos de fazer, para estarmos bem conosco mesmos, e prontos para atender nossos clientes. E trilha é uma dessas coisas que adoramos, faz bem para o corpo e para a alma. Hoje vou relatar uma caminhada bem legal, fácil de fazer, que está aqui em São Paulo mesmo: a trilha da Pedra Grande.

Extensão: 9,6 km (ida e volta)
Características ambientais: flores atlântica do planalto
Atrativos: vista panorâmica de São Paulo, Bosque do Lago das Carpas e Museu
Dificuldade: média

É uma trilha toda asfaltada, na verdade, uma antiga estrada, que sobe até a Pedra que dá o nome. Vi senhoras e crianças fazendo, e por isso, é para qualquer idade. Vale a pena. Quem mora em São Paulo, deveria conhecê-la, pelo menos uma vez na vida. A vista da cidade é belissima, vale a pena! O ar, a mata, a infraestrutura do local, tudo muito bom para pessoas que desejam curtir, sem muita aventura.

Alex Possato e Theresa Spyra são diretores do Nokomando-desenvolvimento sistêmico, trainers em constelação familiar sistêmica

Início da caminha. Começo é só subida

Início da caminha. Começo é só subida

Folhas, mato, estrada

Folhas, mato, estrada

Theresa vai na frente

Theresa vai na frente

A primeira visão da cidade...

A primeira visão da cidade…

Chegamos ao alto! A pedra é grande... a vista, também!

Chegamos ao alto! A pedra é grande… a vista, também!

Que tal? Já viu São Paulo desse ângulo?

Que tal? Já viu São Paulo desse ângulo?

Uma "casa" suspensa... pensei até em fazer umas dinâmicas aqui...

Uma “casa” suspensa… pensei até em fazer umas dinâmicas aqui…

Detalhes de madeira

Detalhes de madeira

O lago das carpas. Metade do caminho. Agora é voltar

O lago das carpas. Metade do caminho. Agora é voltar

Eu, o lago... cadê as carpas?

Eu, o lago… cadê as carpas?

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copnstelação familiar sistêmica, em São Paulo, com a alemã Theresa Spyra

constelação familiar sistêmica, em São Paulo, com a alemã Theresa Spyra

Gostaria de dizer como as Constelações Familiares se desenvolveram e como continuam a se desenvolver, segundo a minha experiência. No início, as Constelações Familiares eram, no fundo, uma forma de Psicoterapia. Portanto, nós as oferecíamos no contexto da psicoterapia e para pessoas que procuravam psicoterapia. Frequentemente eram pessoas que estavam doentes de corpo e alma. As Constelações Familiares as ajudaram. A postura que tínhamos era a do treinamento psicoterápico, na qual tínhamos sido treinados e para o qual estávamos direcionados. No início, isso marcou muito as Constelações Familiares.

Qual era a postura? Era a idéia de que aqui está um cliente, um necessitado e ali um terapeuta, que foi treinado em determinados métodos e agora conhece as Constelações Familiares e as utiliza no sentido da Psicoterapia. E, na verdade, não era terapia individual, porque aqueles que se utilizavam das constelações já tinham ultrapassado esse momento. As Constelações Familiares se desenvolveram no contexto da Terapia Familiar. Como terapeutas, fizemos algo seguindo aquilo para o qual tínhamos sido treinados. E estávamos treinados a fazer algo. Constelávamos as famílias dessa forma também. Nós deixávamos que eles os constelassem; então interferíamos segundo as nossas idéias e também o que tínhamos aprendido sobre as ordens de relacionamentos e procurávamos uma solução. Primeiro olhávamos para o problema e então procurávamos a solução. Isso trouxe muita bênção.

 

Ir com a alma

 

Então ficou óbvio que os representantes são muito mais importantes do que imaginamos, no início. Revelou-se que eles estavam em contato direto com um campo maior e trouxeram algo à luz, simplesmente porque se deixavam levar pelos movimentos que os impulsionavam, por aquilo que ia além daquilo que no início descobrimos sobre as ordens do amor.

De repente fomos confrontados com situações totalmente diferentes e com outros movimentos. Portanto, deixamo-nos conduzir cada vez mais por esses movimentos, que contradisseram muitas vezes as nossas idéias.

Então alguns tentaram interrompê-los e, ao invés de esperar por aquilo que se mostrava, interferiam. Foi necessário um certo tempo até que vi –agora falo de mim – que se eu suporto que é necessário esperar e se me exponho ao que se mostra, chegamos a uma profundidade que vai muito além da psicoterapia. Aqui somos levados de repente a entrar em contato com poderes fatais, perante os quais falhamos.

De repente vemos, por exemplo, que alguém se sente atraído inexoravelmente para a morte. Ou alguém sente que precisa morrer. Com quais métodos que aprendemos na psicoterapia podemos, então, fazer algo aqui? Podemos realmente fazer algo? Ou aqui a ajuda chega a um limite onde o soltar se torna importante? E onde a ajuda real começa, quando deixamos de agir? Uma outra força assumiu aqui a liderança. Eu me deixo levar por essa força e, de repente, sei se devo fazer algo e o que devo fazer, mesmo se no início, algumas vezes, pareça ser absurdo. Mas eu vou com esse movimento e então resulta algo que nunca poderia ter previsto antes.

Portanto, isso vai além do contexto da terapia familiar e, por fim, da psicoterapia. Portanto o que começou com as Constelações Familiares tornou-se um ir com a alma. Qual alma? Não a própria, não a do cliente, não a do representante, mas uma alma que atua em todos da mesma maneira.

Se entrarmos em sintonia com essa alma, ficamos seguros. Nós permanecemos parados perante algo impalpável, e o impalpável fica de repente palpável no resultado.

 

Bert Hellinger, Ordens da Ajuda, Atman – Pgs 232/233

 

Leia a avaliação sobre o livro “Ordens da Ajuda”, de Bert Hellinger, pelo consultor Alex Possato. Clique aqui!

 

Grupo de Trabalho e Estudo de Constelação – em 12 Etapas, com a facilitadora alemã Theresa Spyra, em São Paulo – clique aqui e saiba mais!

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Resolvi iniciar o nosso papo deste Blog “Ser Terapeuta” com um assunto muito comum e que provoca bastante o terapeuta e psicólogo: a transferência. Qual é a pessoa que não fica com um pé atrás quando percebe que o cliente colocou expectativas irreais sobre o terapeuta, e espera, inconscientemente, que a cura lhe seja apresentada numa bandeja dourada?

O monge e doutor em psicologia alemão, Anselm Grün, explica assim este processo: “Se duas pessoas se amam, o seu amor tem força curativa. As feridas da infância consistem geralmente na falta de amor, na experiência de rejeição, ofensa, depreciação, frieza e ódio. E só o amor pode curar tais feridas. Isso não se aplica somente ao amor dos apaixonados, mas também ao processo terapêutico. O que em última análise cura o paciente não é o método psicológico que o terapeuta usa, mas o amor que ele lhe oferece, ou, como exprime Rogers: o interesse irrestrito, valorizador, a empatia, a atenção incondicional, positiva. O paciente necessita da experiência da aceitação incondicional do terapeuta para poder trabalhar a sua escassez de experiência de amor na infância.” Anselm Grün, Morar na casa do Amor, Edições Loyola.

Embora concorde com Grün, devo fazer uma ressalva: o psicoterapeuta não oferece amor. Amor é a essência do universo, é algo que não está em posse de ninguém. O terapeuta permite que o amor flua por ele, dentro do trabalho terapêutico. Não é o ser humano ou a técnica que cura, mas a capacidade de permitir o fluir do amor no tratamento, em primeiro lugar, por parte do terapeuta, e em segundo, do cliente. É um exercício de desapego e de “não querer curar ninguém”. Na verdade, de não ver ninguém doente.

Na terapia de constelação familiar sistêmica, um dos pilares do trabalho iniciado pelo psicoterapeuta Bert Hellinger é a necessidade do equilíbrio do dar e receber. Dentro de uma relação equilibrada entre paciente e terapeuta, os dois devem dar e receber na mesma medida. Quando o cliente se posiciona como o doente e o profissional como alguém que tem mais a dar, perde-se a possibilidade do equilíbrio, e a cura não ocorre. Hellinger explica: “Os ajudantes (terapeutas) ficam na mesma situação dos pais, lugar onde se colocaram através desse querer ajudar. Passo a passo, precisam colocar limites aos que procuram ajuda, decepcionando-os. Então, estes desenvolvem freqüentemente, em relação aos ajudantes, os mesmos sentimentos que tinham antes em relação aos pais. Dessa maneira, os ajudantes que se colocaram no lugar dos pais e talvez até queiram ser melhores que os pais tornam-se para os clientes iguais aos pais deles”. Bert Hellinger, Ordens da ajuda, Atman.

Mas como que um cliente ou paciente, que está precisando de cuidados, pode dar? Ele não procura o terapeuta buscando uma solução? Pois é, ele procura, e por isso, de certo modo, ele provoca a transferência, ou seja, joga a responsabilidade da cura para o terapeuta. Como Freud explicou, é uma atitude inconsciente, positiva ou negativa, não condizente com o trabalho profissional realizado. Pode ocorrer então a contratransferência, que seria a mesma atitude inconsciente, do terapeuta em relação ao cliente, que cria um obstáculo à analise, segundo a teoria freudiana.

Aí esse jogo deve ser quebrado. Quando o terapeuta se coloca como um igual ao cliente, ganhando a confiança dele e propondo que ambos busquem, em conjunto, a solução, o cliente passa a dar na mesma intensidade que o terapeuta. A partir disso, ambos estão abertos para que algo maior possa acontecer.

Mais sobre constelação sistêmica? Conheça o trabalho da facilitadora alemã Theresa Spyra, do Nokomando, em São Paulo clique aqui!

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