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Archive for the ‘espírito’ Category

Todos nós que somos terapeutas, psicólogos, profissionais da área da saúde, consultores ou um outro profissional que cuida da saúde emocional e física de outro, iniciamos este caminho com uma forte chama dentro do peito: a chama da compaixão, do ajudar, a chama da entrega a algo maior. Muitas vezes, como foi o meu caso, e da Theresa, minha companheira, terapeuta alemã de constelação sistêmica,  esta chama já estava nas brincadeiras e sonhos infantis, mas no decorrer da vida, ficou escondida atrás de outros interesses e carreiras aparentemente mais fáceis, imediatas e rentáveis.

Hoje tenho absoluta certeza de que não é possível fugir da missão de ser um curador, e acredito até que o universo, sabiamente, nos desviou deste caminho exatamente para provocar dores, atritos e problemas em diversas áreas da vida. Assim, no momento em que estivéssemos prontos, buscaríamos a cura interior. Como disse, ser terapeuta é “menos fácil” do que ser outra coisa qualquer. Outra coisa qualquer que já fui e ainda sou, como empresário, escritor, jornalista, diretor de comunicação, operário de linha de montagem, lavador de carros, entregador em lavanderia…

Digo que é “menos fácil” porque ao escolher ser terapeuta, lido com as dores e sofrimento do outro. E não tem jeito: ao lidar com o sofrimento e dores do outro, as minhas próprias dores e sofrimento emergem. Se você é terapeuta, ou já cuidou de alguém com problemas, sabe muito bem do que estou falando. E é exatamente ao entrar em contato com a própria dor e sofrimento interior, e percebendo a total ilusão de que eles são formados, que tornamo-nos aptos a lidar com a dor do outro. Quem sofre não tem possibilidade de lidar com o sofrimento. Quem nunca sofreu também não. Quem acredita no sofrimento só consegue acolhê-lo a custa de muito sacrifício pessoal e para que o seu cliente fique bem, cede a própria energia, buscando restabelecer a saúde na marra. Já vi muitos padecerem e somatizarem doenças com esta atitude.  Somente quem percebe o sofrimento como algo desvinculado de realidade, e já conseguiu eliminar em si mesmo o vínculo com a dor, pode muito bem acolher os sofredores, e encaminhá-los no caminho do despertar.

Despertar? Sim, estou falando de um despertar para a saúde em essência, que cada ser humano é dotado. Você sabia que terapeuta vem do grego therapeuen, que quer dizer “aquele que inicia”? É um engano pensar que a figura do terapeuta tem poder de cura. Nem a técnica utilizada tem o poder de cura. Por isso, ao sairmos das nossas faculdades e cursos, com um diploma na mão, não somos terapeutas, mas sim, profissionais da saúde, no máximo. O terapeuta “inicia” o cliente na descoberta da própria saúde essencial, que sempre está lá, apesar de qualquer sintoma ou manifestação emocional que possa dizer o contrário. E para isso, ele próprio deve ter sido iniciado, atravessando a senda do sofrimento e da cura de si mesmo. Um terapeuta se forja a ferro, fogo, dúvida, medo, descrença, até o seu próprio despertar.  Grandes nomes da terapia tiveram que vencer a si mesmos, antes de clinicarem: Milton Erickson superou uma deficiência crônica que o mantinha preso à cama, e após ser desenganado pelos médicos, recuperou-se, tornando-se o grande mestre da psicoterapia estratégica com hipnose. Elisabeth Kubler Ross, psiquiatra, revolucionou o mundo médico ao trabalhar com os pacientes desenganados, preparando-os para a morte, mostrando que existe saúde até no caso dos que estão morrendo. Victor Frankl, psiquiatra austríaco, ao perder família, status, cargos e carreira na Segunda Guerra, e ser  trancafiado em campos de concentração para morrer, não apenas sobreviveu, como trouxe para nós a logoterapia, um conceito que demonstra que até em casos extremos, enquanto o ser humano conserva o seu sentido de vida, permanece saudável. Meir Schneider teve que recuperar-se da cegueira através de métodos naturais para iniciar a sua jornada mundial intitulada self-healing (autocura).

Não é necessário mergulhar no sofrimento para tornarmo-nos bons terapeutas e “iniciadores” aos nossos clientes. Cada um de nós já tem a própria carga de problemas e dores emocionais e físicas, e não necessita buscar outras. O que temos já é o suficiente para nossa própria iniciação. Aprender a olhar para a dor pode não ser a coisa mais legal que existe para pessoas normais, mas para o terapeuta, que trabalha diariamente com a ilusão da dor que o cliente possui, este sim, necessita olhar para a própria dor, até perceber a sua inexistência. Como despertar o poder da cura, inerente a qualquer ser humano, se não estivermos focados na saúde essencial? E não digo apenas foco mental, racional, mas aquela certeza que invade o corpo, a alma e o espírito, a certeza  de que não existe um único ser humano doente na Terra…

E o nosso trabalho é lembrar o cliente que nos procura que esta verdade está disponível a ele também. Sem isso, nenhum trabalho terapêutico pode ter êxito. O terapeuta que acredita na doença não pode facilitar a cura do doente que acredita na doença. Como diz o cirurgião americano Bernie Siegel, que pessoalmente acompanhou centenas de casos de recuperação de doenças graves, “a meu ver, todos os médicos deveriam trabalhar, como parte de sua formação profissional, com pessoas portadoras de doenças ‘incuráveis’. Eles seriam proibidos de receitar medicamentos ou intervenções cirúrgicas; precisariam, isso sim, sair a campo e ajudar os doentes afagando-os, rezando com eles, participando, no nível emocional, de suas dores”.

Ouso dizer que o terapeuta, para se tornar um iniciador, deve despir-se e libertar-se. Despir-se do próprio conhecimento, das próprias crenças sobre cura e doença, terapia e caridade. Despir-se do próprio significado da sua existência neste planeta. Despir-se do significado de si mesmo. Não viemos salvar ninguém, nem a nós mesmos. Um terapeuta deve, simplesmente, retornar à essência, à simplicidade. E aí perceber que não há mais divisão entre o “eu” e o “outro”. Não existe mais divisão entre os diversos níveis de consciência, nem mesmo separação entre mente consciente e inconsciente. Em suma, somos todos um corpo só, saudável, justo e agradável, navegando num mar ilusório e fascinante.  Quem sabe retornar ao espírito do antigo conhecimento xamânico, onde a realidade é tratada como algo sistêmico e muito maior que o nosso pobre ego pode perceber? O físico francês Patrick Druout compartilha desta idéia: “essa maneira de conceber o universo encontra um eco na física quântica. Existe uma interconexão fundamental, religando tudo o que há. Pouco a pouco, consigo ver que os xamãs percebem o universo de uma maneira bem mais ampla que aquela proposta pelos modelos mecânicos do paradigma cartesiano ou da relatividade galileana. Eles não  apreendem a realidade numa relação de causa e efeito, a realidade é para eles como uma teia de aranha, uma rede próximo das interconexões observadas nos modelos da física quântica. “

Ao deixar de ver puramente a doença ou sintoma, quer dizer, causa e efeito, e auxiliar o cliente a perceber onde ele se encontra dentro desta teia de aranha gigante, da qual o terapeuta também faz parte, podemos começar a “brincar” com a realidade, dar “o braço ao cliente”,  e juntos, quem sabe, possamos admirar a cura se manifestar.

Alex Possato é escritor, consultor e diretor do nokomando – desenvolvimento pessoal e profissional.

Formação em terapia sistêmica focada no atendimento individual
Ênfase no auto-conhecimento, desenvolvimento dos valores essenciais do trabalho terapêutico e treinamento prático com supervisão. Em breve – segundo semestre de 2009 Clique no site nokomando

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Lá vamos, nós! Acho que não é necessário dizer que o terapeuta deve cuidar da mente, corpo e espírito, certo? Eu e Theresa temos algumas opções que gostamos de fazer, para estarmos bem conosco mesmos, e prontos para atender nossos clientes. E trilha é uma dessas coisas que adoramos, faz bem para o corpo e para a alma. Hoje vou relatar uma caminhada bem legal, fácil de fazer, que está aqui em São Paulo mesmo: a trilha da Pedra Grande.

Extensão: 9,6 km (ida e volta)
Características ambientais: flores atlântica do planalto
Atrativos: vista panorâmica de São Paulo, Bosque do Lago das Carpas e Museu
Dificuldade: média

É uma trilha toda asfaltada, na verdade, uma antiga estrada, que sobe até a Pedra que dá o nome. Vi senhoras e crianças fazendo, e por isso, é para qualquer idade. Vale a pena. Quem mora em São Paulo, deveria conhecê-la, pelo menos uma vez na vida. A vista da cidade é belissima, vale a pena! O ar, a mata, a infraestrutura do local, tudo muito bom para pessoas que desejam curtir, sem muita aventura.

Alex Possato e Theresa Spyra são diretores do Nokomando-desenvolvimento sistêmico, trainers em constelação familiar sistêmica

Início da caminha. Começo é só subida

Início da caminha. Começo é só subida

Folhas, mato, estrada

Folhas, mato, estrada

Theresa vai na frente

Theresa vai na frente

A primeira visão da cidade...

A primeira visão da cidade…

Chegamos ao alto! A pedra é grande... a vista, também!

Chegamos ao alto! A pedra é grande… a vista, também!

Que tal? Já viu São Paulo desse ângulo?

Que tal? Já viu São Paulo desse ângulo?

Uma "casa" suspensa... pensei até em fazer umas dinâmicas aqui...

Uma “casa” suspensa… pensei até em fazer umas dinâmicas aqui…

Detalhes de madeira

Detalhes de madeira

O lago das carpas. Metade do caminho. Agora é voltar

O lago das carpas. Metade do caminho. Agora é voltar

Eu, o lago... cadê as carpas?

Eu, o lago… cadê as carpas?

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